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Dermatite atópica tem cura? Descubra!

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Dermatite atópica tem cura? Descubra!

Muito confundida com a psoríase, a dermatite atópica além de apresentar sintomas semelhantes como descamação, desconforto e manchas avermelhadas na pele, pode abalar a autoestima do indivíduo e dificultar a realização de tarefas do cotidiano.

Ainda que não se possa confirmar que a dermatite atópica tem cura, o tratamento para a doença diminui consideravelmente os sinais e sintomas provocados, melhorando a qualidade de vida do paciente portador.

A dermatite não só causa desconforto e problemas sociais como também pode levar a complicações como asma e doenças alérgicas. Elaboramos o post a seguir para introduzir um pouco mais sobre a dermatite atópica. Continuem conosco e confira!

Definição de dermatite atópica

A dermatite atópica é uma das alergias cutâneas mais comuns existentes e caracterizada por eczema atópica. Trata-se de uma patologia genética e crônica, que provoca ressecamento da pele, prurido, e erupções que podem desenvolver infecções. 

Seu aparecimento comumente acontece em dobras de braços e parte posterior de joelhos. Por não se tratar de uma patologia contagiosa, as lesões podem ser tocadas sem nenhum risco de transmissão.

Uma doença comum e universal, a dermatite atópica é mais fácil de ser encontrada em grandes áreas urbanas, e sua incidência tem aumentado nas últimas décadas, afetando atualmente de 10 a 15% da população mundial.

Com início precoce, a dermatite atópica aparece nos primeiros anos de vida e seu prognóstico é favorável na maioria dos casos identificados. Aproximadamente 60% das crianças apresentam diminuição considerável ou desaparecimento completo das lesões da doença, antes mesmo de chegar à puberdade.

Junto com o surgimento dos sintomas, a dermatite pode também ser acompanhada de episódios de asma e rinite alérgica, entretanto, com manifestações clínicas variáveis. Alguns dos fatores de risco para desenvolver a dermatite atópica incluem alergia aos seguintes itens:

  • Pólen; 
  • Mofo;
  • Ácaros ou animais;
  • Materiais ásperos;
  • Exposição a irritantes ambientais;
  • Fragrâncias, corantes, loções, sabonetes, detergentes e produtos de limpeza em geral;
  • Roupas de lã e tecido sintético;
  • Baixa umidade do ar;
  • Calor;
  • Frio intenso;
  • Infecções;
  • Staphylococcus aureus na pele;
  • Alimentos;
  • Estresse emocional.

Causas da dermatite atópica

As causas para o desenvolvimento da dermatite atópica ainda são desconhecidas, no entanto, sabe-se que sua origem é hereditária. Se uma criança tem um dos pais portadores da dermatite atópica ou qualquer outra condição atópica, suas chances de também desenvolvê-la sobem para 25%.

Características

Além do prurido sempre presente, a dermatite atópica tem como característica a vermelhidão e aparecimento de lesões na pele. Durante a infância, tais lesões apresentam-se mais avermelhadas, localizando-se em tronco, face, e superfícies externas de membros superiores e inferiores. 

Já em crianças maiores e adultos, localizam-se em dobras do corpo e regiões de pele mais seca, escura e espessa como pescoço, dobras de cotovelos e joelhos. Em casos graves, o indivíduo pode ter boa parte do corpo acometida pela doença. 

Sintomas da dermatite atópica

O principal sintoma da dermatite atópica que pode levar a outros ferimentos, é a pele extremamente seca e com prurido. Devido a coceira intensa, que pode durar até 12 horas, o paciente acaba se machucando na tentativa de gerar algum alívio. Outros sintomas comuns, são:

  • Regiões arranhadas (também pelo prurido);
  • Alterações na cor da pele (mais clara ou escura que o tom normal do paciente);
  • Secreção ou sangramento na orelha;
  • Vermelhidão e inflamação da pele ao redor das bolhas;
  • Áreas muito espessas que surgem após irritação e coceira.

O quadro inflamatório da doença é transitório e pode ter intervalos de meses ou anos entre uma crise e outra. As inflamações cutâneas provocam prurido intenso e, ao coçar a lesão na tentativa de amenizar a sensação, o indivíduo pode deixá-la mais irritada e pruriginosa. 

Além disso, o ato de coçar pode levar a lesões de pele pela unha, facilitando a invasão e contaminação das feridas por bactérias. O quadro clínico da doença muda de acordo com sua fase, dividindo-se em três estágios: fase infantil (3 meses a 2 anos de idade), fase pré-puberal (2 a 12 anos de idade), fase adulta (a partir de 12 anos de idade).

Dermatite atópica aguda

Na fase aguda (inicial) a dermatite causa lesões, gerando regiões avermelhadas, exsudativas, crostosas e bolhosas, que tem em média 2 meses de duração. Em bebês as erupções iniciam-se no rosto e se espalham para pescoço, couro cabeludo, mãos, pés, braços, pernas, afetando grande superfície corporal.

Em crianças maiores e adultos, as lesões costumam se apresentar em uma única zona ou em alguns lugares, sendo principalmente em pescoço, anterior de cotovelos e posterior de joelhos. 

Dermatite atópica crônica

Ainda que a cor, localização e intensidade da erupção cutânea possam variar, a coceira está sempre presente no quadro agudo ou crônico. Como o ato de coçar não pode ser controlado, o indivíduo nessa fase acaba piorando o problema, causando maior espessamento na região lesionada.

Complicações

A dermatite atópica não tratada leva graves complicações à saúde do paciente, como neurodermatite, infecções de pele e complicações oculares. Suas crises trazem também sérios comprometimentos à qualidade de vida. 

Ao coçar e esfregar a pele de forma intensa, são criadas lesões que permitem a passagem de bactérias, provocando infecções não só na pele, mas em tecidos e linfonodos circulantes. Também corre-se o risco de desenvolver descamação.

Em pessoas que sofrem de dermatite atópica, a infecção pelo vírus da herpes simples (que em outros indivíduos costuma afetar uma pequena região com bolhas) pode causar graves complicações como dermatite extensa, formação de bolhas dolorosas e febre alta.

Os indivíduos com dermatite atópica também estão susceptíveis a desenvolver infecções de pele causadas por vírus com mais facilidade. Alguns podem apresentar turvação do cristalino do olho (catarata) aos 20 ou 30 anos, dificuldades para dormir, problemas de produtividade, ansiedade e depressão. 

Diagnóstico

O diagnóstico da dermatite atópica é realizado de acordo o surgimento da erupção cutânea, histórico familiar (casos de alergias na família), características próprias das lesões, testes cutâneos (por escoriação da pele ou adesivos) e exames de sangue (radioalergoabsorvente – RAST), determinando as substâncias que podem estar desencadeando os ataques.

Dermatite atópica tem cura?

Dermatite atópica tem cura? Essa é uma pergunta que médicos escutam com grande frequência. Por tratar-se de uma doença crônica, a dermatite não apresenta cura completa. Contudo, é possível controlar seus sintomas com tratamento medicamentoso, evitando irritantes e mantendo a pele hidratada.

Na infância, a doença geralmente começa a desaparecer por volta dos cinco anos, porém, as crises poderão continuar ocorrendo com certa frequência. Já em adultos, a dermatite atópica é geralmente prolongada e recorrente.

Tratamento

Apesar de não ter cura, o tratamento para a dermatite atópica tem como objetivo controlar a coceira, reduzindo a inflamação da pele e prevenindo contra recorrências. Em consequência da pele ressecada, o tratamento tem como base a hidratação com uso de emolientes.

Os pacientes devem ser orientados sobre a importância do uso de substâncias que auxiliam na hidratação diversas vezes ao dia, e sempre que a pele estiver muito seca. O fortalecimento da barreira cutânea é outro fator importante. É essencial evitar contato com alérgenos ambientais, como produtos de limpeza, sabonetes perfumados, poeira e tabaco.

O paciente deve ser orientado a evitar banhos quentes e dar preferência à duchas frias uma vez ao dia, utilizando sabonetes especiais que possam ajudar na hidratação. Associado à essa prevenção, é recomendado o uso de corticosteróides, anti-histamínicos via oral, e fototerapia, controlando a coceira, melhorando a imunidade e proporcionando períodos de sono com qualidade, sem coceira. 

Medicamentos tópicos também são utilizados para aplicação direta nas lesões, comumente são empregados cremes ou pomadas com corticóide. Para casos em que existam complicações, como infecções secundárias, o tratamento deve ser acompanhado de antibioticoterapia. 

Para limitar o uso de corticóides em pacientes que precisam de tratamento prolongado, é possível substituir os cremes que contém o medicamento por vaselina ou tratamentos alternativos sem a medicação, durante uma semana ou até mais. 

Cremes ou pomadas que contenham medicamentos de modulação do sistema imunológico, como tacrolimo ou pimecrolimo, também são fundamentais e podem auxiliar diminuindo a necessidade do uso de corticosteróides a longo prazo.

A terapia de gaze úmida (corticosteróide aplicado à pele úmida, envolta em camada úmida e seca) é outra alternativa. Em geral, os sintomas podem ser tratados em casa, entretanto, pacientes com celulite, eczema herpético, dermatite esfoliativa ou outras complicações, devem ser hospitalizadas.

A fototerapia, tratamento realizado com raios ultravioleta, tem grande eficácia no controle das eczemas. No entanto, a terapia além de apresentar alto-custo pode provocar envelhecimento precoce e aumentar os riscos para câncer de pele. Por isso seu uso é para casos extremos. 

Para pacientes em casos graves, o atendimento deve envolver também outros especialistas, já que a dermatite atópica pode estar associada à rinite, asma, sinusite e pneumonias de repetição. 

Prognóstico 

Apesar de se atenuar frequentemente quando as crianças atingem em média 5 anos, os episódios de dermatite atópica são comuns por toda adolescência e idade adulta. Ao desenvolver a doença em idade precoce, apresentar a doença de forma grave, ter histórico familiar, asma ou rinite, o indivíduo está propenso a manifestar a dermatite atópica por um longo prazo. 

Ainda assim, mesmo nesses indivíduos a dermatite atópica desaparece ou se atenua de forma significativa na idade adulta. Por seus sintomas ficarem evidentes, o paciente, em especial crianças, pode desenvolver problemas emocionais duradouros enquanto convivem com a doença. Por esse motivo, o acompanhamento psicológico é muito indicado durante os períodos em que os sintomas se apresentam de forma crítica.

Cuidados

Ao realizar cuidados com a pele, a necessidade do uso de medicação pode ser reduzida. O paciente deve ser orientado quanto à cuidados que podem ser adotados em casa e em seu cotidiano. Evitar coçar as erupções cutâneas é o mais importante. Confira outras medidas que podem ser orientadas para que o paciente adote em seu dia a dia:

  • Manter a pele limpa e hidratada (com óleos ou cremes hidratantes especializados);
  • Usar pomadas, como vaselina e cremes que não aumentem a irritação de duas a três vezes por dia;
  • Não usar hidratantes que contenham álcool, perfume, fragrâncias, corantes, ou outras substâncias químicas;
  • Utilizar umidificador no ambiente e em que tenha maior frequência;
  • Evitar banhos quentes e demorados, no frio, o paciente deve tomar banhos mornos, não passando de 15 minutos;
  • Não usar sabonete diretamente na pele que estiver lesionada;
  • Preferir banhos frios e curtos, com menos uso de sabonete que o normal;
  • Não esfregar a pele ou secá-la com força, ou durante muito tempo;
  • Jamais utilizar buchas ou esfoliantes;
  • Sempre aplicar hidratação após o banho, enquanto a pele ainda estiver úmida, ajudando a reter a umidade;
  • Aliviar a coceira com compressas frias e medicamentos anti-histamínicos;
  • Manter unhas cortadas (principalmente em crianças);
  • Caso necessário, utilizar luvas leves durante a noite, em situações de coceira noturna;
  • Evitar tecidos que irritem a pele, como a lã;
  • Evitar sabonetes fortes (escolher neutros ou suaves), produtos de limpeza, produtos químicos e solventes;
  • Não permanecer longos períodos com suor na pele;
  • Evitar fatores desencadeantes depois de identificados;
  • Não utilizar produtos caseiros como maisena ou aveia nas lesões.

Alimentação

Segundo a Associação de Apoio à Dermatite Atópica, estudos recentes indicam que o papel das alergias alimentares e dietas é extremamente controverso, sendo que apenas aproximadamente 10% das crianças abaixo de 5 anos podem ser beneficiadas com uma dieta de eliminação adequada.

Tratar crianças com dermatite atópica leve com dietas de restrição não está justificado, e ainda pode levá-las a uma deficiência de nutrientes vitais e causar distúrbios importantes na rotina familiar. 

Temperaturas extremas

As mudanças bruscas na temperatura não são bem toleradas pelos indivíduos com dermatite atópica crônica. A umidade baixa do ar durante o inverno pode contribuir para a piora do quadro alérgico, assim como o aumento da transpiração causado pelas altas temperaturas durante o verão, junto de exercícios físicos.

Identifique os gatilhos

Os pacientes com a doença observam que, frente a situações estressantes, os sintomas da dermatite se agravam. Fatores que podem desenvolver piora no quadro variam desde sabonetes, shampoos, até sentimentos como raiva, ansiedade e frustrações. A obesidade também é fator de risco que pode levar ao aumento da coceira e vermelhidão.

Por isso, é importante identificar fatores e situações estressantes, além de adotar alternativas para reduzi-las. Oriente o paciente a procurar ajuda profissional, praticar atividades que proporcionem relaxamento e tranquilidade, e a evitar situações de conflito. 

Prevenção de episódios

Para que os sintomas não apareçam, é necessário seguir corretamente as orientações e cuidados acima. Além deles, outras medidas podem ajudar a diminuir as substâncias que causam coceira e irritação da pele:

  • Usar travesseiros de fibra sintética e cobertores impermeáveis;
  • Lavar roupas e lençóis com água quente;
  • Retirar tapetes, brinquedos macios, bichos de pelúcia e evitar animais domésticos na casa;
  • Usar circuladores de ar que sejam equipados com filtros de partículas de alta eficiência em quartos e áreas de convívio frequente;
  • Colocar desumidificadores em áreas de pouca ventilação e ambientes úmidos, reduzindo mofo.

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