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Reposição de Eletrólitos no Perioperatório

A Reposição de Eletrólitos no Perioperatório
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Reposição de Eletrólitos no Perioperatório

É indiscutível a importância de manter o corpo bem hidratado e fazer a reposição de eletrólitos adequadamente.

A água é o maior componente do nosso organismo, desempenhando papel fundamental no metabolismo de qualquer.

Antes de mais nada, é importante entender um pouco mais sobre os eletrólitos. No post de hoje indicaremos a função dos principais eletrólitos no nosso organismo, bem como elencar algumas possibilidades de como executar a reposição de eletrólitos no perioperatório. Vamos conhecer?

O que são eletrólitos?

Eletrólito é o termo médico usado para um sal ou íon que têm uma carga elétrica e está presente no sangue ou em algum outro líquido corporal. Essa carga permite a regulação de vários processos, como por exemplo o gerenciamento da pressão arterial e do pH, a hidratação, a contração dos músculos, a reconstrução de tecidos danificados, entre muitos outros.

A importância dos eletrólitos para o organismo

O corpo humano é composto por água que fica retida em diversos compartimentos para armazenagem de líquidos. Tais locais onde a água se armazena são o interior das células, o espaço em entre uma células e outra e também no sangue.

Para o funcionamento adequado do corpo humano, é necessário evitar que os níveis de líquido variem muito nessas áreas, por isso a importância da reposição de eletrólitos. Eles são minerais importantes na manutenção da homeostase e carregam uma carga elétrica negativa ou positiva quando estão dissolvidos.

Entretanto, essas cargas são responsáveis por regular a pressão osmótica, sendo o cloro, o sódio e o potássio eletrólitos típicos encontrados no organismo – líquidos essenciais que estão presentes no sangue e na urina. Em sistemas biológicos, os eletrólitos principais são:

  • Sódio (Na+)
  • Cloreto (Cl-)
  • Magnésio (Mg2+)
  • Cálcio (Ca2+)
  • Potássio (K+)
  • Fosfato do hidrogênio (HPO42-)

Para que serve cada eletrólito

Cloreto

O cloreto é o eletrólito que, junto com o sódio, faz o controle do metabolismo do corpo humano. Entretanto, ele é o ânion fundamental do espaço extracelular. O cloreto é abundante no organismo e possui a capacidade de se difundir de maneira rápida entre o interior e exterior das células a fim de ajudar na regulação da pressão exercida pela água, denominada pressão osmótica.

O transporte dos gases no corpo humano recebe o auxílio do cloreto. Além disso, ele também contribui para regular o pH sanguíneo, a fim de evitar que ele se torne extremamente ácido, o que é prejudicial ao organismo.

Sódio

O sódio é um cátion fundamental do espaço extracelular e o mais abundante, sendo o principal responsável pela osmolalidade do plasma. Sua função é manter o volume de circulação sanguínea para que as substâncias entre o sangue e o trato intestinal sejam transportadas.

Além disso, exerce papel importante na excitabilidade neuromuscular. Aliás, esse eletrólito também garante que a glicose seja absorvida pelo organismo. As necessidades de ingestão são, no mínimo de 1 a 2 gramas por dia e de no máximo, de 3 gramas por dia.

A perda de sódio no organismo pode ocorrer por diversos motivos, como por exemplo, pelo suor, evacuação ou urina. A reposição desse eletrólito, de forma natural, pode ser feita com a ingestão de água mineral, sal e alimentos.

Cálcio

O cálcio é o mineral mais abundante e de principal aproveitamento no organismo humano. Contudo, ele possui funções importantes como atuar na formação estrutural dos ossos, dentes e diversos outros tecidos. Além disso, estabelece o equilíbrio juntamente com o fósforo.

Por outro lado, o cálcio é um eletrólito importante na coagulação do sangue, contribuindo para que o sangramento seja evitado no paciente. Também controla o funcionamento de várias enzimas e o ritmo cardíaco.

Magnésio

O magnésio é o segundo cátion mais importante no espaço intracelular. Ele também tem participação fundamental na função de numerosas enzimas, dependendo dele para funcionar normalmente. Os ossos carregam aproximadamente metade do magnésio presente no nosso corpo.

Junto com o cálcio, ele é necessário para a formação de ossos e dentes, para o funcionamento dos nervos e músculos e também para a estabilidade das membranas. Além disso, participa ativamente no metabolismo da glicose e de diversos hidratos, como carbono e proteínas.

O metabolismo do cálcio e do potássio também sofrem influência do magnésio. A baixa quantidade desse mineral no organismo pode causar a hipomagnesemia, por outro lado, quando há grande quantidade de magnésio, o paciente sofre hipermagnesemia.

Potássio

O potássio é o principal e mais comum cátion do compartilhamento intracelular. Por outro lado, no extracelular, sua concentração é baixa, sendo transportado para o interior das células por um mecanismo conhecido como bomba de sódio. Esse cátion tem diferentes funções no organismo, por isso é fundamental dar sua devida atenção na hora de fazer a reposição de eletrólitos.

Entre as funções do potássio está facilitar a contração dos músculos, transportar o oxigênio, facilitar a conversão de glicose em glicogênio no fígado e regular o sistema de pressão arterial. A alimentação balanceada do paciente e a ingestão de água mineral de qualidade contribuem para a reposição do potássio.

Fosfato do hidrogênio 

O fosfato de hidrogênio, que é o fósforo combinado com o oxigênio, é o ânion mais abundante do corpo humano e está relacionado com o tampão urinário, o estoque energético e a formação dos ácidos nucléicos.

Os ossos contêm cerca de 85% de fosfato do corpo. O restante está no interior das células, envolvido com a produção de energia do corpo. Esse mineral também funciona como bloco modular de substâncias importantes, como por exemplo as usadas pela célula para energia, membranas celulares e o DNA.

Como ocorre o desequilíbrio eletrolítico

A constituição da água nos órgão e tecidos varia de acordo com o sexo, idade e biotipo, mas em resumo, cerca de 73% estão nos músculos e tecido nervoso. A proporção de água corresponde a 60% do peso corporal de um  homem com idade entre 18 e 40 anos. Já nas mulheres, cerca de 50% é de água, 20% de gordura e 20% de outros tecidos.

A menor proporção de água nas pessoas obesas explica porque elas resistem menos à desidratação aguda do que as magras; por outro lado, as pessoas magras resistem menos às doenças consuptivas por ter menos gordura, portanto, menor fonte de calorias.

Os eletrólitos ajudam a regular essa distribuição de água no organismo. Além disso, contribuem para o equilíbrio do ácido básico. A deficiência dessas substâncias é comum quando há falta de ingestão ou perdas extraordinárias pelas vias ordinárias ou por vias extraordinárias.

Os distúrbios dos desequilíbrios hidroeletrolíticos também costumam acontecer quando o paciente apresenta algum tipo de estresse, como uma reação à cirurgia, como por exemplo. O diagnóstico do tipo de desidratação quanto à tonicidade, por outro lado, define a qualidade da solução a ser ministrada na reposição de eletrólitos.

Como fazer a reposição de eletrólitos no perioperatório

Qualquer paciente no estágio perioperatório pode apresentar desequilíbrio hidroeletrolítico (EHE), que pode ser em decorrência da própria doença, de problemas clínicos associados ou até mesmo por algum estresse.

O jejum de 12 horas, comumente solicitado antes de cirurgias, também resulta na redução de aproximadamente 800 ml de água total no organismo. Por outro lado, quando solicitado, o jejum de 18 horas pode corresponder à redução de 1000 a 1500 ml de água total.

Durante a cirurgia essas alterações são ainda mais intensas e precisam de maior atenção do anestesista. Por outro lado, no pós-operatório, os distúrbios têm mais predisposições ligadas às alterações hormonais da resposta ao trauma e à duração da hidratação endovenosa.

O equilíbrio da água e reposição dos eletrólitos no organismo pode se dar por meio de alguns mecanismos que regulam a atuação do sódio e, consequentemente a regulação da água. Veja alguns exemplos:

  • Aldosterona: proporciona o aumento da reabsorção distal de sódio;
  • Hormônio antidiurético (HAD): facilita a reabsorção distal de água e na porção alargada da alça de henle reabsorção de sódio;
  • Peptídeo natriurético (PNA): atua na diminuição da reabsorção distal de sódio;
  • Angiotensina 2 (ALL): aumenta o ritmo de filtração glomerular (eferente).
  • Simpático: shunt corticomedular, libera renina e aumenta a reabsorção tubular de sódio.

Outras formas de fazer a reposição de eletrólitos é por meio da administração de fluídos. Soluções isotônicas, como a salina ou a ringer lactato, são as mais comuns. Entretanto, estudos mostram que há diferentes respostas para pacientes que recebem uma ou outra solução. Por isso, é importante estar atento para administrar a reposição correta dos eletrólitos.

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