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Saiba como está a situação da telemedicina no Brasil

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Telemedicina

Saiba como está a situação da telemedicina no Brasil

No mês de março, o uso da telemedicina foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em caráter excepcional devido a progressão da pandemia de Covid-19 no Brasil. O Conselho reconhece a possibilidade do uso da teleorientação, encaminhamento de pacientes em isolamento, telemonitoramento e teleinterconsulta.

Aprovada a fim de incentivar o isolamento social e proteger a saúde de médicos e pacientes, a telemedicina é uma tendência muito utilizada em outros países, como Canadá, Estados Unidos e Alemanha. Contudo, nem sempre foi bem-vinda no Brasil. 

Em 2019, uma resolução publicada com o objetivo de regulamentar a prática ampliando os serviços médicos, gerou grande polêmica e acabou sendo revogada. Para entender mais sobre a telemedicina e os motivos que levaram finalmente sua regulamentação, continue conosco a leitura a seguir!

O início da telemedicina

Ainda que envolva o uso de tecnologias e dispositivos modernos como computadores, tablets e smartphones, a origem da telemedicina é anterior a grande parte destes instrumentos tão utilizados nos dias atuais.

Segundo o relato de alguns estudos, a prática já era uma contribuição para a população na Idade Média, quando toda a Europa enfrentava desafios na saúde devido a proliferação de pragas. Contudo, o fato não possui comprovações, portanto, os primeiros registros oficiais do uso da telemedicina remetem ao século XIX, em que foi inventado o telégrafo.

O aparelho ajudou médicos da época a compartilhar laudos de exames e diagnósticos em locais distantes, ação melhorada com a invenção do telefone no final do século, quando as linhas telefônicas serviram de base para transmissão de dados e, combinadas com aparelhos de fax, permitiam até mesmo o compartilhamento de resultados e exames como eletrocardiograma. 

Conceito da prática

De forma ampla, a telemedicina pode ser definida como o uso das tecnologias da informação e comunicação como maneira de viabilizar a oferta dos serviços relacionados aos cuidados de saúde. A área oferece suporte diagnóstico remotamente, permitindo emissão de laudos médicos à distância e oferecendo suporte diagnóstico.

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a especialidade representa o exercício da medicina utilizando métodos interativos de comunicação audiovisual e de dados, com o intuito da pesquisa, educação e assistência e saúde.

O propósito da telemedicina é aperfeiçoar o atendimento médico e a saúde dos pacientes, de formas que possibilitem a troca de informações, opiniões e pareceres à distância, além de atendimentos e tratamentos de forma remota. A ferramenta ainda permite que serviços clínicos sejam levados a qualquer lugar do país, contribuindo com a ampliação do acesso ao atendimento e ultrapassando barreiras de consultórios, clínicas e hospitais.  

Áreas da telemedicina

A telemedicina atual faz parte de uma prática ampla, com sistemas e tecnologias associadas no auxílio da promoção de melhorias das condições e processos clínicos do sistema de saúde. Acompanhe as 3 áreas que dividem a telemedicina na prática.

Emissão de laudos à distância

A emissão de laudos à distância é a frente da telemedicina que mais cresce no Brasil, tornando-se a principal. Nela, os exames podem ser realizados em qualquer lugar e laudados por médicos que também estiverem em qualquer localização, apenas pelo meio de softwares online em acesso via computador, tablet ou smartphone.

Teleassistência

A teleassistência envolve a monitoração do paciente no hospital, ou mesmo em sua própria residência. O médico responsável por seu atendimento troca informações com outros profissionais especialistas da área, como exames, dados e informações de procedimentos por meio das plataformas online.

Teleducação

A teleducação é uma área da telemedicina responsável pela capacitação dos profissionais de saúde para atuarem em locais com infraestrutura desfavorável e dificuldades de acesso, mantendo-os atualizados em relação aos novos conhecimentos da área médica e de saúde em geral.

Vantagens da telemedicina

Ainda que utilize tecnologia avançada, a telemedicina é uma prática simples e de fácil uso, permitindo inúmeras vantagens não só aos profissionais de saúde, mas também para seus pacientes. Confira os principais.

Armazenamento na internet

A prática da telemedicina permite que laudos, dados, e testes diagnósticos sejam arquivados em espaços seguros e restritos, por meio de plataformas e portais na internet com tempo mínimo de 20 anos. Dessa forma, documentos médicos ficam protegidos das ações do tempo e danos causados por manuseio incorreto, sendo acessados de forma fácil e rápida.

Arquivando documentos na nuvem (internet), a necessidade de manter locais físicos para armazenamento é eliminada, dispensando também gastos que seriam usados para impressão, revelação e manutenção.

Aumento da produtividade

A interpretação de exames é uma das tarefas dos médicos especialistas que podem ocupar boa parte de sua jornada de trabalho. Por esse motivo, delegar tais atividades a outros especialistas em empresas de telemedicina permite que o médico disponha de mais tempo para atendimento de seus pacientes e gestão da saúde. 

Exames feitos por especialistas

Os procedimentos simples podem ser realizados por enfermeiros e radiologistas, no entanto, os laudos de exames devem ser restritos a especialistas qualificados na área, tornando as regras aplicadas para exames laudados à distância as mesmas aplicadas localmente, de acordo com o CFM. 

Redução de custos

Além de atribuir economia em materiais, espaço físico e armazenamento, a telemedicina pode substituir especialistas na interpretação de exames simples, eliminando gastos na folha de pagamento, assim como férias, folgas, e afastamentos.

Ampliação de especialidades

A telemedicina pode beneficiar também Unidades de Saúde que buscam ampliar a área de atuação. Com laudos à distância, contratar médicos especialistas para sua elaboração já não é necessário. Basta delegá-lo à especialistas da empresa de telemedicina, diminuindo custos e aumentando as opções de áreas atendidas.

Acessibilidade de exames em regiões remotas

A maior parte dos especialistas concentra-se atualmente em grandes centros urbanos e suas proximidades, motivo que causa carência da mão de obra especializada em áreas mais remotas do país, deixando boa parte da população descoberta. A telemedicina conecta médicos e profissionais de saúde locais, ajudando a reduzir a desigualdade no acesso a laudos completos e confiáveis de diferentes especialidades.

Segurança e sigilo no histórico médico

Assim como a vantagem de preservar os prontuários médicos, exames e laudos de forma segura por muito mais tempo, a telemedicina auxilia a manter os dados do paciente em sigilo no sistema de arquivamento por meio do prontuário eletrônico. 

Depois de integradas ao sistema, as informações são acessadas somente por unidades de saúde, motivo que dispensa a guarda do histórico físico do paciente. A plataforma de telemedicina é protegida por diversos protocolos de segurança como senhas e criptografia, preservando os registros de saúde de forma integral.

Teleconsulta para monitoramento de pacientes crônicos

A telemedicina proporciona ao paciente e seus familiares o acesso a seu histórico sempre que necessário, facilitando a conferência de detalhes sobre medicações, tratamento e recomendações médicas. A prática da teleconsulta auxilia ainda o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas de forma remota, permitindo que o médico possa assistir o indivíduo que está em sua própria residência de locais como clínicas, hospitais e consultórios, evitando assim gastos com deslocamento.

A telemedicina no Brasil

Algumas iniciativas para o uso da telemedicina estão presentes no Brasil desde 1990, quando empresas passaram a disponibilizar eletrocardiogramas à distância. O Incor (Instituto do Coração) foi o pioneiro oferecendo a interpretação de exames em diversas localidades do país, recebendo-os na época por fax. Já no segmento acadêmico, a Universidade de São Paulo (USP) foi a primeira a criar uma disciplina voltada ao estudo da telemedicina, em 1997.

Acompanhando as iniciativas que as inovações na telemedicina poderiam oferecer ao SUS (Sistema Único de Saúde), a União encomendou em 2005 o Projeto Telemática e Telemedicina, apoiando à Atenção Primária no Brasil, ação que usou a telemedicina para capacitar profissionais em 900 pontos de atenção no país.

Em fevereiro de 2019, o CFM publicou a Resolução 2.227/18, que aprovava a realização de teleconsultas. No entanto, a norma acabou sendo revogada após alguns dias devido à polêmica causada, com diversas entidades médicas desejando contribuir com seu conteúdo.

Uma nova lei de nº 13.989/20 foi publicada em 16/04/2020 no Diário Oficial da União, autorizando o uso da Telemedicina enquanto durar a crise ocasionada pelo Novo Coronavírus, sendo obrigação do médico informar ao paciente todas as limitações sobre seu uso, além de seguir os mesmo padrões normativos e éticos de atendimento presencial para as teleconsultas, incluindo o valor cobrado.

Situação da telemedicina no país

Desde sua chegada ao país no final de fevereiro, a crise causada pelo Novo Coronavírus vem apresentando aumento, motivo que resultou na implementação de novas medidas para combater sua propagação, como isolamento social. Tais práticas mudaram a rotina de toda a população, incluindo médicos.  

O alto número de infectados pela Covid-19 que seguem em tratamento em hospitais, acaba não permitindo que pacientes com outros problemas de saúde sejam atendidos por falta de vagas ou mesmo como medida de segurança para evitar a contaminação.

Diante desse problema, muitos pacientes recorrem a alternativas de tratamento, visto que, grande parte da população sofre com doenças crônicas, alérgicas ou respiratórias.

Com a redução dos atendimento ambulatoriais para proporcionar o isolamento social e evitar aglomerações, os atendimentos médicos passaram a ser controlados para o tratamento da Covid-19. Foram aplicadas então, outras alternativas para levar atendimento médico até os pacientes, como a telemedicina.

O isolamento social e aumento da pandemia resultaram na rápida adaptação dessa nova prática, possibilitando o atendimento seguro à distância, principalmente em regiões afastadas de grandes centros, levando conhecimento e experiência profissional sem que seja necessário o deslocamento do paciente ou médico.

Do ponto de vista econômico, a prática se constitui em área estratégica, com potencial para se tornar uma fonte de inovações, incorporando avanços tecnológicos em função de sua natureza interdisciplinar e, possibilitando assim impulsionar empresas. 

A OMS (Organização Mundial de Saúde) define a telemedicina como oferta de serviços e cuidados de saúde em casos de distância como fator crítico. Serviços estes promovidos por profissionais da área que utilizam conhecimento, comunicação e tecnologia para trocar informações necessárias em diagnósticos, tratamentos, prevenções e educação continuada.

São inúmeros os hospitais, clínicas e planos de saúde que estão trabalhando com o atendimento remoto, motivo que leva especialistas a acreditarem que após a expansão devido à pandemia, a telemedicina será uma nova realidade no mundo. Por isso, profissionais da área devem buscar constantemente a atualizações em suas áreas, assim como na telemedicina.

É evidente que o serviço de telemedicina no Brasil contribui atualmente para a redução de problemas não só da pandemia, mas também relacionados à carência de profissionais em locais remotos do país. Com a ampliação dessa prática, o acesso a assistência de qualidade pode ser levado a uma boa parte da população que sofre com a falta de cobertura à saúde, motivo que não dá espaço para o retrocesso da telemedicina.

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Comments (6)

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